Admissão ao Curso Ginasial Até o final dos anos 60, pelos menos, havia verdadeiro vestibular para se ingressar no Curso Ginásial. Era comum a criançada do quarto ano primário fazer uma espécie de cursinho visando preparar-se para o exame de "Admissão ao Ginásio". O meu livro era de pelo menos "oitava mão" ou seja já havia passado por oito antes de mim. Todas as fotos estavam riscadas, com bigodes, óculos, até chifres haviam. Minha inesquecível professora Iracy Bezerra de Morais preparava uma turma de 40 aluno para um exame de segunda época e preenchimento de cinco ou seis vagas restantes oferecida pelo Ginásio São Raimundo Nonato. Fui aprovado e assim iniciei o antigo curso ginasial em 1965.
Dácio Melo (filho de Mestre Walter) Eu nunca fui bom de papagaio. Quando os ventos gerais chegavam, todo mundo corria à procura dos artesãos, dos craques na feitura dos surus, lanciadores, curicas, surus de besouro nas mais variadas cores. Me lembro bem do Tete e do Cebola. Embora não sendo bom na empina, sempre estava participando da brincadeira. Segurando o papagaio pra levantada de vôo, passando o cerol na linha e depois me juntar a turma na expectativa da queda bonita de alguns surus cortados. Na ânsia de comer linha, varávamos cercas de quintas e quintais sem respeitar nada. Lembro-me bem, ali nas imediações da galeria abaixo da rua do fogo, o suru tinha caído no quintal dum carroceiro muito brabo, nós pulamos a cerca afobados pra comer linha e o dono da casa correu pra ver que zoada era aquela no seu quintal. Foi olhar pra nós e gritar bem alto, com raiva, "me traz o facão aí, muié, ligeiro!". Rapaz, nunca vi nêgo pular cerca de arame tão depressa como naquele ...